domingo, 3 de fevereiro de 2013

CULPADOS

Partilhar
Procura-se o culpado pela uma porta.
Procura-se o culpado pela falta de saída de emergência.
Procura-se o culpado pela planta do estabelecimento.
Procura-se o culpado pela aprovação da planta.
Procura-se o culpado que não fiscalizou.
Procura-se o culpado pelo não cumprimento da lei que proíbe show pirotécnico em lugar fechado, o que permitiu e o  que fez.
Procura-se o culpado pela não-denúncia.
Procura-se o culpado pelo arroubo das pessoas que acorrem ao show fora-da-lei.
Procura-se o culpado que fechou a porta.
Procura-se o culpado pela existência dos caloteiros.
Procura-se o culpado pelo alvará vencido.
Procura-se o culpado pela cobrança de propina para renovar o alvará.
Procura-se o culpado que se negou a pagar a propina.
Procura-se o culpado que não renovou porque sem propina "não rola".
Procura-se o culpado que abre e faz funcionar uma boite com alvará vencido como quase cem porcento das boites brasileiras.
Procura-se o culpado pela superlotação.
Procura-se o culpado que entra com superlotação porque conhece um fulano e arrasta mais dez amigos.
Procura-se o culpado que é barrado por superlotação, não conhece ninguém e "toca o terror" com a sua patota porque não entrou.
Procura-se o culpado pela fisiologia do corpo humano em pânico.
Procura-se UM culpado pelos vários fatores que contribuiram para a morte de mais de duzentos e trinta jovens em Santa Maria - RS no final de semana passado, porque é assim que funcionamos e é a isso que chamamos justiça.


domingo, 27 de janeiro de 2013

APRESENTE-MO-NOS A NÓS MESMOS

Partilhar
Interessante como temos medo da solidão. Fantástico como "amamos" o próximo: amigos, conhecidos, colegas, parentes, vizinhos e morremos de medo de nós mesmos. 
A necessidade de ajuntamento, de utilitarismo, de empreendimento de ações que fiquem para a posteridade é premente. Deixamos de nos comprazer conosco mesmo num programa tupiniquim, como ver televisão comendo pipoca com creme na cara, o que nos faria felizes naquele momento, para irmos àquele evento que não queremos, porque os conhecidos vão falar e os colegas não vão perdoar.
Atividade social é "legal" quando mantemos o indivíduo que somos e não agredimos o nosso gosto, prazer, "filosofia" de vida, ideologia política ou religiosa, se as tivermos.
Quando nos adequamos forçosamente pra vida fazer sentido, significa que vivemos uma vida que não é nossa, a entregamos para ser dirigida por outrem e preferimos sair numa esteira em série, fugindo do compromisso de conhecermos a nós mesmos e darmos de cara todo dia com o nosso próprio nariz.
Às vezes, o medo de ficar sozinho conosco mesmo é o medo de nos conhecermos, de não saber o que fazer, de estar diante de um ilustre desconhecido que sempre esteve conosco, medo de não conseguir administrar o tempo, pois o tempo dobra de tamanho quando estamos sós, o silêncio interno assusta, ou mesmo medo de ter prazer com a própria companhia.
E aí, o que fazer? pergunta interessante, principalmente quando foram os outros que sempre disseram o que deveríamos fazer... da vida, do tempo, dos amigos, das oportunidades...e não sabemos descobrir sozinhos. A construção de momentos sós conosco mesmo no auge de nossas forças é importante, pois é exercício de decisão e não de abandono; se o exercitarmos quando solicitados pela vida, pelas circunstâncias/oportunidades teremos uma outra visão da solidão quando as forças não mais forem as mesmas.
O que fazer com o tempo, como gostar de nossa própria companhia são exercícios de aprendizado de conhecimento de nós mesmos como timoneiros da embarcação.
Paremos, pensemos, conheça-mo-nos, prestemos atenção em nós mesmos e perguntemo-nos se somos o que queremos ser, se fazemos o queremos fazer, se sabemos o que estamos fazendo conosco, ensaiemos enxergar o produto pronto antecipadamente, pra saber se o preço a ser pago vale a pena.
Andar em bando é pra passarinho, pertencer a rebanho é pra gado. Usemos o potencial de raciocínio e a noção de finitude que só a nossa espécie tem, isso é uma grande vantagem no processo de seleção natural, pra darmos o ponta-pé inicial na nossa nova vida, no nosso novo "eu". Pra tanto  só precisamos ter coragem.
E aí, vai se encarar? Tá com medo de quê? Pense no quanto vai ser bom dizer a si mesmo: muito prazer!

domingo, 20 de janeiro de 2013

ESCOLHAS

Partilhar
O meu caminho quem faz sou eu. Ele é o somatório das minhas escolhas, a personificação das minhas construções. Quem diz a direção do meu caminho sou eu, a qualidade das pedras com as quais serão ladrilhados.
 A cor do sol do meu caminho quem decide sou eu, a quantidade de chuva, a inclinação de uma curva, o nível do aclive e do declive.
Quantas paradas vou fazer, quantos atalhos vou pegar, quantos vão estar nele e até qual ponto estarão. Em quais partes farei acompanhada e quais partes farei sozinha. Quais trechos conheço como a palma de minha mão - se a conheço - e quais  preciso redobrar a atenção por serem totalmente desconhecidos.
Quais acontecimentos quero porque quero, pagando todos os preços pelo meu querer,  e quais não quero, mas preciso. Quais são dispensáveis e quais, não adianta, tenho que passar.
A forma, a amplitude que dou ao meu caminho é responsabilidade minha. A realidade que aplico ao meu caminho é a marca registrada do que sou e como vejo as coisas que me acontecem.
A intensidade de luz do meu caminho quem dá sou eu e o nível de trevas que consinto quem decide sou eu. A forma com a qual vejo a vida é que dá a cara que o meu caminho tem.
Com tanta responsabilidade sobre nós, a nosso próprio respeito, sobra tempo pra olhar o caminho do outro? Não. Mas dá pra saber quando se cruzam e receber com um bemvindo ou rechaçar com educação; dá pra comprimentar com graça quando se tornam paralelos e conviver com ternura, quando temporariamente é o mesmo, pra mais de um.
Tudo isso se constrói e se delineia ao longo da vida com uma atitude, que por vezes passa despercebida, chamada escolha.

domingo, 13 de janeiro de 2013

OLHAR DE MULHER

Partilhar
Olhar de mulher é diferente, tem amplitude e profundidade.
Olhar de mulher escaneia, esquadrinha, milimetriza.
Olhar de mulher tem abrangência de aspectos, tem nuances, é furta-cor.
Olhar de mulher é múltiplo e diverso,  abarca a complexidade do que é visto e destrincha o que não é visto. Analisa, esquarteja.
Olhar de mulher vê coisas que nenhum outro vê, é sonar, é parabólica, é scanner.
Olhar de mulher é agente secreto da alma, é faro de cão de caça.
Olhar de mulher diz a competência que ela tem pra viver, pra sobreviver...é seletor darwiniano.
Olhar de mulher é como sinal dos deuses, há que ser respeitado. 
Olhar de mulher é bússola, é intrumento de navegação pra vida, é arma secreta numa guerra, é farol em noite de tempestade.
Olhar de  mulher é a junção, elevada à décima potência, de todos os filtros de olhares que a natureza criou.
O olhar de mulher é tecnologia de ponta dos mortais, o ápice na escala de evolução dos olhares.
Olhar de mulher....nada mais perigoso. Uma vantagem e tanto pra quem não tem força física, não troco esse opcional de fábrica por nada.

domingo, 6 de janeiro de 2013

REBANHO

Partilhar
Rebanho é um conjunto de indivíduos da mesma espécie, que vai para o mesmo lugar, com a mesma velocidade, com os passos coreografados, que levantam o olhar do mesmo jeito, respiram no mesmo ritmo, e não pensam.
Para se fazer parte de um rebanho há que se seguir regras difíceis: não conteste, não reflita, não fale, não pense, não haja... da série de SIMs: siga a maioria, use antolhos e tenha como referêncial o outro à sua frente, as ancas ou a nuca, não importa, é tudo a mesma coisa.
Quanto mais você for igual, se te notarem, você será elogiado e querido. Pensar pra quê? Isso dá trabalho e causa problemas,  percebe-se  um equívoco aqui, um erro ali, uma manipulação acolá.... e descobre-se tudo "troncho", torto, fora de lugar e diferente do que se via antes  Faz-se o quê? Ficar sozinho?.... Quem nasceu pra rebanho não sabe ficar assim, não tem coragem, perde a orientação.
Fazer parte de um rebanho não é pra quem quer é pra quem pode. 
Pra quem pode dizer sim o tempo todo sem se enfurecer.
Pra quem pode fazer o que os outros mandam sem questionar, sem se aborrecer.
Pra quem pode ser chamado de tolo com um sorriso e um abraço sem adoecer.
Estar num rebanho não é pra quem quer é pra quem pode.
Pra quem pode abrir mão da autonomia, da liberdade de expressão, da liberdade de ir e vir.
Pra quem pode matar o viver pelo vegetar do existir.
Estar num rebanho não é pra quem quer é pra quem pode.
Pra quem pode se deixar levar sem saber no que vai dar.
Pra quem pode abrir mão do prazer inefável de saber-se certo ou errado.
Pra quem pode jogar  fora uma encarnação  só pra ser aceito por não se sabe quem até não se sabe quando.

domingo, 30 de dezembro de 2012

SENTIMENTO DO MUNDO

Partilhar
Às vezes tenho vontade de abraçar o mundo, 
De inventar um jeito de ser grata.
Grata por fazer parte de uma construção.
Uma construção de aprendizados e gentilezas.
Aprendizados de convivências, de conecções, de links, de resgates, de feridas curadas, de competências aplicadas, de vida em movimento.
De gentilezas: silenciosas, discretas, resignadas.
De perdões, de crescimentos, de sublimações, de estabilizações, de restabelecimentos, de reconstruções.
Tenho vontade de abraçar o mundo.....
Me orgulho de fazer parte dessa grande massa que evolui, que muda, que melhora.
Tenho prazer em ser parte integrante de algo, que não importa se eu tenha capacidade pra definir, pra conceituar, mas fazer parte de algo que consigo ver, sentir e viver.
Me orgulho de ter olhos de ver , alma de sentir e oportunidade de testemunhar ações boas, lidares retos, atitudes nobres, usos de potenciais para o bem.
Gosto de, no meu limite de entendimento, conectar o que sinto com o que vejo, de ligá-los em níveis de profundidade e abrangência, mesmo que só eu entenda e  que numa lingua/linguagem convencionada, codificada seja intraduzível, sem condições de expressão em palavras, mas que a emoção, a expressão do choro, do sorriso, do abraço dê conta de definir, de traduzir, de interpretar....Tenho vontade de  abraçar o mundo!
Como dizia Drumond......"Tenho em mim todo o sentimento do mundo".
                                                                         
 FELIZ ANO NOVO!

domingo, 23 de dezembro de 2012

O BÓSON DE HIGGS, A MATÉRIA ESCURA E A FÉ

Partilhar
 Nota: O texto abaixo não se pretende acadêmico, nem pró ou contra ciência ou religião é apenas uma reflexão a que todo cidadão tem o direito de fazer e deveria. Da série: pensar é bom.



Desde a muito fé e ciência são áreas distintas, quadrados separados e uma discussão com várias nuances em abrangência e profundidade. Mas todos nós vivemos na intercecção entre os dois. Todos nós precisamos/usamos as benesses oferecidas pela ciência (vôos comerciais, remédios de última geração, informações sobre qualidade de vida, descobertas sobre nutrição, equipamentos hospitalares e etc...) e também usamos confessamente ou não os apetrechos da fé ( o santinho na carteira,  o crucifixo no alto da cabeceira da cama, o rosário no pescoço, aquele sinal da cruz quando passa em frente a igrejas ou cemitérios, ou o famoso Valha-me Deus! na hora do perigo - até ateu confesso o faz), atribuimos  como milagre tudo o que não explicamos lógicamente e em algum momento quando o bicho pega vamos a uma igreja, centro espírita, terreiro, sinagoga, mesquita e tal. Há também aqueles que se autoproclamam agnósticos, os que não acreditam em nada, seja por considerar os fenômenos sobrenaturais inacessíveis a compreensão humana ou por achar que é melhor não perder tempo com alguma coisa que não tem uma explicação lógica ou por achar que depois da vida terrena tem nada. Não importa,  também fazem parte da conta.
A religião já teve seu tempo de dominação - a idade média. A ciência também, o renascimento, a era industrial, o progresso tecnólogico e à medida que o tempo passa os dois irmãos opostos - Esaú e jacó - se aproximam cada vez mais; que o diga a  física quântica ou mecânica quântica  ( saiba mais) que embrica em dado momento ciência,  filosofia e espiritualidade.
Este ano tivemos a descoberta científica mais esperada dos últimos 40 anos - o bóson de Higgs   ou "particula de Deus" - (veja) que explica ou justifica ou prova a composição e funcionamento de toda matéria visível e invisível - subatômica.   (como funciona)
Mas não é só isso, tem também  a matéria escura...é. Trata-se do principal componente do universo, compõe aproximadamente 95% do mesmo, que é inivisível e que não se sabe exatamente o que é (certifique-se) mas que investimos tempo, recursos financeiros, recursos humanos e etc...para descobrirmos o que não sabemos nem por onde começar. (confira!)

Todos esses elementos tem algo em comum com a fé, a imaginação. Não vimos, não fotografamos, idealizamos, ninguém sabe até que ponto os cálculos (instrumento de comprovação exata) são tendenciosos ou não. A fé é definida no livro Aos Hebreus, escrito pelo apóstolo póstumo Paulo de Tarso como "firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem" .
Qual a diferença entre o princípio de construção do "acreditar" que a ciência postula e o da fé? Aquele em que se acredita naquilo que não se vê mas que se espera? Não é essa uma definição histórico/religiosa? Qual a diferença entre acreditar no bóson de Higgs  e na matéria escura e a fé cega em algum feito religioso?  Talvez seja o mesmo "princípio ativo da droga" agindo em indivíduos de diferentes estirpes, um do alto de sua construção  metodológica/científica, com cálculos e pesquisas o outro do alto de sua construção cega, sem necessidades de explicações e comprovações.
No natal comemoramos o nascimento de um cara que no mundo religioso-cristão é o filho de Deus encarnado, que morreu e ressucitou; no mundo religioso-não-cristão um avatar que foi uma marco na história da humanidade; no mundo histórico/científico um indivíduo com papel extremamente importante sob os  aspectos filosóficos e políticos. Mas de qualquer forma lembramos um cara que não vimos, que não fotografamos, que só ouvimos falar e que sob nossas diretrizes pessoais o pomos em algum lugar de nossas crenças.
Fica bonito quando a gente não põe o nome de fé, não é? Essa é a nossa realidade, nossas questões, nosso quebra-cabeças. Fé soa ignorante, cego, sem fundamento, sem uso de inteligência...... Tenha o nome que tiver a usamos sempre e para tudo. Logo, em "cientificês" "agnostiquês" e "ignorantês" FELIZ NATAL!