quinta-feira, 30 de junho de 2011

ALMA PRESA

Partilhar
      Não é fácil falar sobre o estado d'alma. Primeiro há que se definir o que é alma. Segundo (AURÉLIO,2001) existem 11 significados possíveis " 1- princípio da vida; 2- princípio espiritual do homem; 3- conjunto das faculdades psíquicas, intelectuais, morais de um indivíduo; espírito (1); 4-  sede dos afetos, sentimentos e paixões; 5-pop. espírito desencarnado; 6- coragem, ânimo; 7- veemência de sentimento, entusiasmo; 8- pessoa, indivíduo; 9- condição primacial; essência; 10- interior do cilindro duma arma de fogo, que vai da culatra à boca do cano; 11- pedaço entre a sola e a palmilha do sapato ou bota". Dentre todos esses, exercendo o poder de escolha...ficaremos com o de nº 4 - sede dos afetos, sentimentos e paixões.
    Tudo na nossa construção existencial é desabrochar,  que segundo (AURÉLIO,2001) é: " v. int. e p. principiar a abrir; abrir-se (a flor); desabotoar (se) { conj: 1 [ desabroch] ar}". Se prestarmos atenção desabrochamos para o mundo até certa idade, mas alma sempre o faz. A cada circunstância da vida "re-nascemos", "re-esperamos", "re-vivemos". Temos sempre força para acreditar...é nossa alma desabrochando "Ad eternum". Mas será que é assim para todos?
      Existem pessoas que conjugam o verbo embotar , que segundo (AURÉLIO,2001) é: "v.t.d. e p. 1- tirar a fio, a ponta, (o gume) ou perdê-los 2- enfraquecer (se) 3- insensibilizar (se) {conj 1 [embot] ar}" todas as dores enfraquecem, todas as agruras enfraquecem e o indivíduo se tranforma num zumbi, que segundo (AURÉLIO,2001) é: " s.m. bras. folcl. fantasma que vaga pela noite, segundo lenda afro-brasileira" para quem  não adianta rir, não adianta contar piada nem falar de alegrias...o embotar vulgo enfraquecer se apodera de tal forma que contagia.
      Mas consideremos que há casos e casos. Há casos de prazer no embotar e caso de embotamento por equívoco da vida em fornecer ao pobre vivente uma cruz que o dito cujo nâo consegue carregar. e aí?...aí , a alma: sede de afetos, sentimentos e paixões fica presa. Presa em si mesma como cachorro correndo atrás do rabo, girando em círculos sem sair do lugar. Não sente prazer nisso, mas também não avança por puro problema administrativo/afetivo/evolutivo. O que fazer nesses casos? Nada. Rezar e esperar que o indivíduo melhore.
      Mas quando acontece conosco, parar de girar em torno de si mesmo e seguir em frente é uma boa sugestão. Observar a sí próprio, perscrutar seus reais desejos e expectativas diante da vida, mesmo que o que encontremos não nos agrade, não corresponda ao que achamos de nós ou ao que vendemos como imagem para os outros. Já é um começo de mudança e melhora, de avanço. Porque deixar passar oportunidades de adquirir experiência positiva de vida, de exercício das potencialidades da alma é uma covardia e tanto, para com  missão que viemos cumprir....é, aquela que nem nós sabemos qual é. Quando nos dermos conta que a vida, na modalidade de existência que conhecemos, é rara e única, já não estaremos mais nela, portanto não terá mais graça.
      Solte sua alma, olhe nos olhos, sorria, ame, toque, fale coisas boas, fale coisas amenas, ligue-se na energia que a  natureza traz de bom e viva! Porque alma presa só é boa, no sentido 10º e 11º da definição de alma segundo AURÉLIO,2001. De resto, "Solte essa franga" segundo (VOCEMESMO,2011).  
      

segunda-feira, 13 de junho de 2011

LEITOR: MODO DE FAZER

Partilhar
      O que é ler? podemos ler um livro, uma pessoa, uma atitude, uma imagem (!!!!)....leitura, em tese, é a decodificação de um signo e/ou a interpretação, o exercício da imaginação que fazemos de qualquer ocorrência de nossa vida. Temos a leitura no seu sentido denotativo e no seu sentido conotativo, fiquemos com o último. A interpretação de uma "leitura" depende do repertório de experiências. Logo, quanto mais experiências, melhor leremos.
      Porém somos seres indivisíveis e temos apenas essa existência, no momento. Como fazer para ampliar isso? vivendo outras vidas, indo a outras paragens, sendo outras pessoas, tendo outra maneira de pensar, conhecendo outros pensares. Como assim? ativando algumas potencialidades que possuimos e que por vezes estão adormecidas. Prestemos atenção no quanto de sentidos usamos enquanto lemos. Confira!

   

      Você acha que a sua Helena é igual a minha? Como são as suas pedras da rua? Como é a sua caneca? e a sua moeda? e a porta que abre e fecha? Como é o sapato que sai andando adiante? Quantos idiomas são falados? quais são eles? e a fotografia? é.... a fotografia. Quais imagens você construiu? quantas potencialidades você usou? são suas.  Estão em você. São acúmulos de experiências vividas ou lidas.
      A leitura é um portal que se abre para um universo infinito. E é um instrumento " sine qua non" para o sucesso e desenvolvimento de vários aspectos de nossa vida! Mas como eu formo um leitor?

Ingredientes:
1 Livro
1 Pessoa
1 Lugar confortável
1 Biblioteca pública (à gosto)
Muita vontade viajar

Modo de Preparo:
Misture tudo  e reserve. Depois pegue sua experiência e divida com seus filhos, amigos, sobrinhos, alunos e etc... Permita que eles lhe vejam lendo em silêncio, por um tempo significativo. Conte-lhes estórias, quando tiver oportunidade. Quer ver como funciona?



Agora, tempere à gosto, bata tudo no liquidificador, reserve por longo tempo, leve ao forno por 1 ano e sirva quente ou frio.
Porções: 6 bilhões de pessoas.
Experimente! ..... e até a próxima....leitura!

terça-feira, 7 de junho de 2011

A MISSÃO DO TEMPO

Partilhar
      Tempo é um conceito relativo e poderoso. Não volta. Sucessão de acontecimentos, amontoado de horas e dias, bússola para realização de sonhos, parâmetro para se dar razão ou tirá-la de alguém, amigo implacável da mortalidade. Não tem cor, não tem cheiro, não tem gosto, não se toca...mas ele nos toca.
      O tocar do tempo sentimos a partir da concepção, quando ali, ele é nosso aliado no entretecimento de músculos e nervos que, serão invólucros de uma alma que tem uma jornada a cumprir e que se dá no tempo.
      Ao nascer, o tempo é o que temos, de quanto tempo será a vida?...começamos a morrer ao nascermos, inicia-se a contagem regressiva. Contagem regressiva alegre, de descobertas, de adaptações a um mundo novo, de leis físicas a serem aprendidas e obedecidas, o não cumprimento delas implica em diminuir esse tempo. Desses aprendizados depende a vida.
      O tempo flui e nos traz encantos, o corpo floresce e as novidades da vida estão em nós, no nosso próprio corpo, no nosso olhar... e não percebemos que essa é uma ação explendorosa do tempo. E aí somos apresentados ao tempo como algo a ser controlado e domado, ganhamos uma agenda e distribuimos nossos afazeres pelo tempo de 24 horas e conceituamos esse ser onírico como queremos, como um espaço onde tem que caber o que fazemos e o que queremos ser. Silenciosamente este deus onipresente ri-se de nós, da infantil definição, da ilusão de controle e da falta de percepção de que é ele quem age sobre nós.
      Essa semana teremos a despedida de Ronaldo Luis Nazário de Lima, o nosso Ronaldinho, da seleção brasileira de futebol. Quem viu aquele menino atrevido, leve, faceiro, fagueiro, correndo pelos campos aos 17 anos de idade, há duas décadas atrás, sabe do que estou falando. Um olhar puro, de criança, uma expressão de sonho, um gás quase que palpável pela vida e por suas escolhas. O prazer de ver sua velocidade nos campos, e emoção que nos trouxe durante tantos jogos....era a cara do Brasil.
      Hoje pela ação do tempo e, tantas outras mazelas que o tempo com seus coadjuvantes trouxe, para jogar 15 minutos na sua despedida, tomou uma injeção de anti-inflamatórios, dito por ele mesmo em entrevista. E todos se perguntam se ele conseguirá cumprir o tempo bem, e o próprio técnico da seleção pediu que ele não desse arrancadas.
      O tempo implacável, silencioso, corrói, disfarça-se de vento e atua sem percebermos. Estamos todos nós à mercê dele. Ele é a nossa unidade de medida, de prazo de validade,deixa marcas no rosto, nos olhos, no sorriso, na alma. Aceitar o que somos e o que nos tornaremos é minimizar dor e sofrimento. Qualidade de vida é a palavra chave. Porque não há dinheiro, plástica, conserto que detenha o envelhecimento. Gastemos os recursos que usaríamos para deter o tempo em viagens, estudos, aprendizagens inusitadas, conhecimento de novas pessoas, outras culturas, vivamos! gargalhemos! amemos! brinquemos com a vida!....porque a quem não podemos vencer nos juntamos.




quinta-feira, 26 de maio de 2011

O DESEJO E A ASSERTIVIDADE

Partilhar
      Se existe algum paradigma que ainda permeia o nosso imaginário é o da supremacia física. Quem nunca ouviu falar no deus Apollo da mitologia grega, ou no semi-deus Aquiles ou mesmo no personagem bíblico Sansão? Antes do advento do capitalismo era esse o sonho de consumo, o que fazia os homens serem respeitados entre si e cobiçado pelas mulheres.
      Hoje é apenas um adereço, importante, mas voltado para saúde e longevidade. Quem quando criança não brincou de super herói? Não fingiu ter uma força descomunal? não sonhou em ser especial? Salvar o mundo? ter uma certa supremacia dentre os demais? sem, necessariamente, ter consciência disso, desta forma.
      O sonho de ser atleta e sobrehumano sempre pairou o meu imaginário pessoal, eu queria mesmo era ser atleta. A vida me levou por outros caminhos...mas eu queria mesmo era ter sido atleta. Fumei durante dez anos, três maços de cigarros por dia...e cada cigarro me fazia lembrar que o que eu queria mesmo era ter sido atleta. Engordei absurdos por revezes da vida e por descontrole emocional, numa somatização triste...mas o que eu queria mesmo era ter sido atleta.
      Nunca tirei isso da minha mente nem do meu coração....o que eu queria mesmo era ter sido atleta.Um dia precisei urgentemente parar de fumar, se não o fizesse nem seria a professora que sou nem, muito menos, a atleta que queria ter sido. Foi o momento decisivo da minha vida, parar com alguma coisa da qual eu não tinha o menor controle, mas era ou eu, ou a coisa. E eu tive que ter uma força que jamais conhecera e que jamais sonhara que tinha. Tratamento com nicotina sintética, terapia, abstinência, depressão, sensação de perda, solidão. O cigarro era meu companheiro, era meu amigo de vida e de morte. A dor maior não era só a de perdê-lo, era também a de ver o que iria junto com ele....os amigos que fumavam, a sensação de estar acompanhada, as bebidas que pediam e chamavam por ele e os programas "culturais" (da nossa cultura , dos nossos costumes) dos quais eu teria que me abster. Que sofrimento horrível. Foram os três meses mais negros, duros e difíceis de toda a minha existência até hoje.
      Quando passei por esse período iniciei a natação para melhorar a respiração e era uma pessoa de 78 Kg num corpo de 1,5m de altura. Alguém que não subia escadas com facilidade, que ficava ofegante por falar rápido em uma aula ministrada. Três meses sem cigarros significava 5.400 cigarros a menos. Eu já havia conseguido muito e soube que dali em diante tudo o que dependesse só de mim e não fizesse mal a ninguém eu poderia conseguir.
      Iniciei um processo de reeducação alimentar. Outro sofrimento bárbaro. Juntamente com atividade física em 6 meses eu havia perdido 12kg e nos outros 2 anos perdi mais 10kg. Ao final de 2 anos e meio estava 22 quilos mais leve. Estava na hora de eu realizar o tão sonhado, desejado, almejado, invejado intento.
      Atleta profissional não dava mais...mas amador...nunca é tarde para começar. Iniciei a minha "brincadeira" silenciosa, treinava em esteira depois da musculação, corria nas ruas nos fins de semana, participava de corridinhas curtas como pipoca (corredor não pagante). Até que resolvi virar profissional dos 10K. Corri um ano inteiro todas as corridas de 10K oficialmente. Só que isto vicia e decidi treinar, usar planilha e participar dos 21K. No ano seguinte, dentre as corridas de 10K havia uma de 15K, outra de 16.090K, uma outra de 20K e três corridas de 21K. Me senti uma vencedora silenciosa e alguém que havia descoberto o prazer de existir e estar entre os vivos, com um corpo perfeito e saudável. Fazendo uma transição responsável me cerquei de todos os aparatos necessários para participar da minha primeira maratona e assim o fiz.
      Aos 22 de maio de 2011. Esta ex-fumante e ex-obesa que vocês lêem participou da 28ª Maratona de Porto Alegre, um percurso de 42.125m com um tempo de 4hs23min52s. Neste dia, com este feito eu recebi o maior título da minha vida o de MARATONISTA, fechei atrás de mim uma porta de frustração e recebi o lauréu da saúde, da perseverança, da assertividade, da vitória. O que eu tenho a dizer pra vocês?...cuidado com o que você deseja.







quarta-feira, 4 de maio de 2011

REJEIÇÃO - A ARMA DO SÉCULO

Partilhar
      Vivemos na era da normalidade. Tudo é normal. Abandonar crianças é normal, adotar sem amor é normal, matar o pai por herança ou pelo seguro de vida é normal, engravidar de jogador de futebol por dinheiro é normal ( vender a alma, o tempo, a vida e colocar uma outra vida como peteca no jogo) é normal.
      Nós seres humanos, ditos sociais, somos uma espécie de vitrine, somente somos considerados alguém de sucesso se ostentarmos algumas quinquilharias pouco duráveis que recebem o adjetivo de "fashion". A  bolsa da Louis Viton, o sapato da Gucci, a roupa assinada por não sei quem e , para os mais pobres, de alguma lojinha mais "transada" de um shopping famoso. Para os homens, possuirem um carro X da marca Y para atrair as "gatinhas". Depois reclamar que o "carinha" só " chegou em você" porque você estava "fashion" ou que a "gatinha" só estava  com você por causa do carro. Legal! a babel do cotidiano.
      Para atrair amigos e afins há tempos atrás você tinha que ter bom comportamento, ser comedido, educado, trabalhador (leia-se não indolente) e ter objetivos para a construção do futuro, e a construção do futuro era construção mesmo, não era presente dado de graça, conhecia-se o preço e o valor de cada conquista. Silenciosamente sabíamos discernir atrocidade de passionalismo, hediondês de impulsividade, planejamento meticuloso de acidente de percurso. Hoje o Hediondo, o atroz e a meticulosidade nociva é uma espécie de acessório da personalidade, com direito a comentários do tipo " Como fulana é corajosa..."
      Somente semana passada foram noticiados três casos de abandono de incapaz - crime, pela nossa legislação- por suas "mães", em São Paulo. No primeiro caso, a criança foi colocada numa caçamba de lixo, no meio da rua, flagrada pelas câmeras de segurança de um estabelecimento; no segundo caso, a criança foi encontrada na porta de uma residência pela manhã, por uma transeunte, juntamente com o lixo caseiro, havendo tomado chuva a noite inteira; no último caso, o mais hilário e sórdido, a "mãe" sentiu apenas uma cólica - e existem mulheres que realmente não sentem dores de parto- pediu para entrar numa clínica e ir ao banheiro, lá pariu a criança e colocou-a na cesta de papel higiênico. A auxiliar de serviços gerais encontrou a criança 40 minutos depois. A "mãe" foi encontrada e está sendo indiciada. em entrevista a "mãe" alegou não saber que estava grávida e que confundiu a criança com dejetos de menstruação.
      Este desafeto manifestado no ventre tem resultados nefastos na vida desse ser que inicia sua caminhada. Por mais que não lhe contem, a alma humana tem sensores decadimensionais e sabe, antes de nós, qualquer coisa sobre nós. Será aquele vazio "inimpreenchível" ....aquele poço que não tem fundo. E se somente assim o for, está é muito bom. Dependendo da trajetória desta caminhada, a dificuldade de amar, de aprender, compreender, de viver mesmo, no sentido existencial é carimbada na pele feito marca de ferro em brasa em boi de pasto. Pergunto: Alguém tem o direito de fazer isso?
Na sociedade brasileira existe um discussão silenciosa, que possivelmente, se transformará numa discussão oficial, com direito a plebiscito e tudo mais, sobre a descriminalização do aborto. Polêmico? sim! muito. Quando se aventa a possibilidade dessa discussão, a fundamentação se dá na premissa " caso de saúde pública", baseado em dados estatísticos de não sei quantas mortes de "mães" por abortos clandestinos mal feitos e de que, nos casos destas "mães" que sobrevivem, sobra para o sistema público de saúde a conta a pagar. Blá,blá,blá...blá,blá,blá.
Ora! a mulher, desde sempre, é responsável por gerar os seres humanos que povoam a terra. Isto é Poder. A mulher, desde sempre, é responsável pela educação deste rebento. Isto é Poder. A constituição do mundo com seus tons e semi-tons é obra silenciosa da ação da mulher através da geração e criação de seus filhos. Isto é Poder. Lembremos que quanto maiores os Poderes maiores serão também as Responsabilidades.
      Na época de nossos avós os homens nasciam para o prazer e a mulher para o dever. Não existia métodos contraceptivos e a mulher não tinha alternativa a não ser parir. Hoje, vejamos....em uma farmácia, sem receita médica, podemos comprar pílula anticoncepcional, camisinha masculina, camisinha feminina, pomada espermicida, o antigo "tampão", que não sei se ainda tem este horroso nome, e a polêmica pílula do dia seguinte, e se você for esquecidinha ainda têm as injeções, que tem efeitos que duram meses ( com receita médica)
      Analisemos.... qual é a necessidade de uma criatura fazer um filho que não quer, abandoná-lo numa lata de lixo ou....uma sociedade inteira gastar os tubos em dinheiro para realizar uma consulta pública para saber ou não se vai se auto-instituir genocida oficialmente? Nossas avós não tiveram essas "benesses contraceptivas" e não se via o descalabro de que vemos hoje. Não estou dizendo que não existia, apenas que não era dessa forma  "normal".
      Saúde pública? falta de educação, falta de interesse na manutenção de seu próprio corpo, falta de auto-estima, falta de responsabilidade com o patrimõnio natural que lhe foi concedido divinamente, falta de noção de causa/consequência, falta de tudo, inclusive de bom senso, quando se vai para uma relação sexual sabe-se da probabilidade disso acontecer. Logo, tem-se duas alternativas para a questão ou você passa numa farmácia e zela pela sua saúde, corpo e bem estar de alma ou abstenha-se sexualmente. Qual é o mais fácil?
Sou a favor da aplicação da lei como ela se encontra hoje, com indiciamento e prisão de 6 meses a 3 anos e exemplo para as demais. O problema carcerário entra na questão? sim. Mas não é o alvo deste texto, isso agente discute depois. Se a primitividade e obtusão só é contida com contundência que assim o seja.
      Na semana do dia da MÃES ( mais comercial do que filosófico) há que se refletir sobre a importância desse papel social/emocional para constituição de uma sociedade sadia. Até porque, MÃE é uma instituição sagrada, abençoada e não é para "qualquer uma". A renúncia de sucesso profissional através da liberdade para competitividade, do crescimento financeiro às próprias custas e afins, é louvavel, pois a missão é extremamente nobre.
      A você MÃE que escolheu a missão mais engrandecedora do planeta. A você MÃE que usou da escolha do sagrado, da continuação, da perpetuidade, do poder feminino em exercício....A você toda FELICIDADE do mundo, as BENÇÃOS do universo, a PAZ dos Deuses e o SUCESSO nessa missão de gerar, parir e construir uma pessoa. Porque se existe algo que se aproxima, de fato, do que entendemos como AMOR (bíblica e filosóficamente) é o SER MÃE, a verdadeira MÃE..... FELIZ DIA DAS MÃES!







sexta-feira, 29 de abril de 2011

O JOGO DA VIDA

Partilhar
      Há 30 anos atrás tivemos o casamento século XX. Como sempre um casamento real. O do Principe Charles e Diana Spencer. Onde o amor, aparentemente, era unilateral e, o seria a decepção, a tristeza e a dor. Mas o protocolo sempre estaria em primeiro lugar. Estaria?!....A insuportabilidade foi tanta, que tivemos as "traições" do século e o divórcio do século. Acabando tragicamente num túnel na França. Um Romeu e Julieta às avessas.
      O cerne da questão, " a infelicidade", estava no encanto pelo quintal do vizinho, chamado Camila Parker Bowels, também casada e amante de longa data (desde os idos da universidade, aproximadamente ínfimos 20 anos), deste senhor distinto e protocolar. No desembaraçar das teias do destino, após o fim trágico da esposa, separou-se de seu cônjuge, impôs-se goela abaixo da monarquia e dos súditos da rainha, quebrando todos os protocolos, com a bênção do ex-futuro rei. O que não se teve coragem de fazer na época própria por medo, covardia ou falta de peito para enfrentar as convenções, foi feito mais tarde mediante o alto preço da infelicidade alheia, da vergonha e humilhações próprias e da exposição pública desnecessária. Sim, porque na época houve vazamento de conversas íntimas, publicadas em tablóides sensacionalistas, de arrepiar cabelo de careca.
      Hoje, no casamento do século XXI, a saber, de um dos rebentos do casamento do século XX, quem estava entre os familiares e na sacada do Palácio era ela, com todo o direito, ao lado de seu verdadeiro "amor" e ele, o pai do noivo, sossegado e feliz como nunca dantes se vira.
       A conclusão que chegamos é que o "amor" tem seus caminhos e instrumentos, não se deixa vencer pelas normas, regras e racionalidade. Não há contenção para a avalanche que é a atuação dos ferormônios. O nosso lado animal de existir.
      As cenas vistas hoje jamais seriam profetizadas há 30 anos atrás. O que significa que não somos donos de nossos destinos. Dos afetos que vivemos, a amizade é o mais racional, por ser exercida lucidamente através de afinidades; na sequência, a fraternidade por ser vivida ideologicamente; e por fim a sociabilidade por estar embuída dos interesses que nos são necessários, do bem viver, da ascenção social e profissional. O "amor" não. A primeira fagulha da paixão é instintiva, ferormônica, é animal e daí nos expomos à toda sorte de destinos.... da felicidade à desgraça. Mas é o jogo da vida. Têm-se esse exercício em todo o mundo animal.
      Como somos racionais misturamos a  racionalidade com os hormônios para dar-lhes freio e conseguimos.... conseguimos nos sentir poderosos controladores de nós mesmos... conseguimos ser infelizes... conseguimos ser inexperientes, porque perdemos a oportunidadde de que algo nos aconteça, de que cresçamos com o que aprendemos. A racionalidade, no caso do "amor" deveria ser usada como tela de proteção, para o caso de "não dar certo", não como escudo, até porque não adianta.
      Tomando como exemplo o caso do Príncipe Charles e, da hoje,  Duquesa da Cornuália (nome sugestivo no nosso idioma), Camila Parker Bowels, ouçamos os nossos ferormônios, sejam eles convencionais ou não, até porque mais cedo ou mais tarde tudo vem à tona e não adianta represar a água contida numa hidrelétrica sem abrir as comportas de vez em quando.
Enquanto isso reinventemos a frase a completar de um álbum de figurinhas da década de 70. Amar é.... neologizar, inventar, viver, render-se aos instintos, transgredir, subersivizar (neologismo de subversivo). Porque isso, dessa forma, tem prazo de validade, ninguém vive isso com essa fome toda aos 90 anos. Vivamos, amemos, como o "amor" se apresentar, sem inventar estórias e tentar se encaixar em modelos.
      A vida é um jogo, joguemo-lo com competência de quem não tem do que se arrepender.......é a sua vez.














segunda-feira, 25 de abril de 2011

O CASAMENTO E SEUS DESCAMINHOS

Partilhar
      A palavra casamento deriva de uma outra: acasalar, que no mundo animal consiste em achar uma parceira para copular e reproduzir a espécie. Mas, como tudo sem contexto perde o significado, no contexto humano, com seus múltiplos aspectos, acasalar não seria apenas o exercício de nossos instintos, então transformamos o verbo em substantivo e ficou " o casamento", que em suas implicações contextuais, carregam no seu bojo, acordos, contratos, consensos, proteção patrimonial, domínio e etc...
      Historicamente os casamentos selavam acordos entre famílias para a manutenção de terras; politicamente, contratos para junções de reinos, feudos e domínios territoriais; comumente são garantias de direitos do patrimônio adquirido ao longo de uma relação, das garantias de  que os "serviços prestados" não foram em vão e que o tempo despendido não foi desperdiçado.
      O que se esquece nessas junções é que a instituição é composta de pessoas...é .... aquela coisa que tem alma, sentimentos, vontade própria, livre arbítrio, sonhos, por mais fugazes, tolos e sem noção que sejam, e que nelas pulsa o espírito do acasalar, então, tem que ter brilho, vontade, desejo, química, etc... O tempo acaba com eles, mas no início tem que ter, porque tem-se que ter do que lembrar.
      Os acordos políticos e econômicos que tinham como "liga" o casamento, não levava em consideração este aspecto e até hoje temos culturas como a cigana, a indiana e algumas árabes que agem com essa característica...a de acordo, contrato. A própria Igreja Católica não admite os casamentos de padres, não pelas ordens Paulinas, mas pelo simples fato de ser ela a única detentora do patrimônio herdado por esses "homens de Deus" de suas famílias, sem ter filhos para o reclamar. O casamento é um instrumento político. Se até a sagrada guardiã do sacramento/casamento é dissensual, reclamamos a quem? A sagrada instituição que constitui o princípio da "célula mater" de uma sociedade é uma hipocrisia. E de hipocrisia em hipocrisia vamos vivendo, tentando nos contaminar menos com ela e transformar este evento em nossas vidas, o mais próximo possível de nossas verdades.
      Esta semana teremos o casamento do século, unir-se-ão pelo " sagrado matrimônio" o Príncipe da Inglaterra Willian Spencer e a pebléia Kate Middleton, expressão essa que não significa pobreza nem coitadismo, quer dizer apenas que ela não tem em sua linhagem ninguém que detenha títulos de nobreza, o que não a desenobrece. Estamos diante de duas instituições  selando acordos sob a égide de uma terceira instituição " o casamento".Uma intrincada teia de acordos e interesses.
      No imaginário social é um conto de fadas. E voltamos ao retardo da Bela Adormecida. Um príncipe que achou graças nos olhos de uma bela moça e a resgata de sua vida simples ( que de simples não tem nada, é muito bem criada, educada, bem sucedida, tem uma estrutura econômica e familiar invejável) e a leva aos píncaros da glória... e serão felizes para sempre.
      Feliz para sempre é quem fica solteira. A brincadeira começa agora. Fazer parte de um emblema representativo de uma nação européia, carregar o fardo de ser vista, invejada, esquadrinhada e vigiada. Ver a compra de uma roupa íntima virar notícia internacional, o olhar triste de um dia com TPM virar motivo de especulação, ter amigos que jamais o seriam em outras circunstâncias e, que , muitas vezes, são capazes de tudo por um minuto de fama ou por milhares de dólares que uma notícia íntima possa representar.
      Para qualquer casamento a brincadeira começa no "sim". E em meio a toda essa tormenta, tem-se ali dois seres humanos, que na verdade, querem é ser felizes, que é tudo o que todos buscamos. Acreditando na possibilidade desse amor do imaginário social, que o casal Willian e Kate consigam o que os súditos e outros pelo mundo afora buscam. Porque ser difícil não significa ser impossível. E se depender da energia de todas as pessoas boas que, sonham para si e não conseguiram, mas que procuram ver no outro o exemplo do que almejam para vislumbrar a possibilidade de tê-lo, que tenham toda a felicidade do mundo e que sejam cúmplices o suficiente para resguardar suas vidas, sua intimidade, seus espiritos, seus segredos e a alma de sua relação. Deus Salve a Rainha!