A você que me faz existir numa forma que se integra, se relaciona.
A você que me possibilita saber o que é a emoção do riso, do choro, do gozo.
A você que me leva onde quero.
A você que me possibilita calçar um sapato, vestir uma roupa, pertencer a um meio.
A você que é meu companheiro, fiel, leal, meu outro eu.
A você que me possibilita respirar e sentir a leveza de ser cheio de vida, que me permite sentir a suavidade da tez de uma flor, o calor de uma outra pele, enxergar o brilho do olho do outro e que através dos hormônios dão a essas experiências outro tom, outro viés, outro sentir.
A você que é o presente, a condição de existir nesse mundo, meu muito obrigada!
Obrigada por perdoar os maus tratos de uma fase sem conhecimento.
Obrigada pelas recuperações estupendas, pelas respostas rápidas, pela disposição, pela alegria, por me ensinar o que é dor primitiva e o que é prazer primitivo.
Obrigada por me ensinar a olhar, a perceber, a me cuidar, a me dar limites.
Obrigada por me ensinar a respeitar as leis da física.
Obrigada por me ensinar a diferenciar os amores físicos dos amores espirituais.
Segredos são nossa verdadeira face escondida. Escondida dos outros e de nós mesmos. Pelos segredos damos a vida, pelos segredos calamos. Que força tem a palavra que calada nos poupa, nos protege. Que força tem os segredos, que diz quem somos.
Segredos...bons ou ruins são a marca d'agua da nossa alma, do que somos capazes de fazer, de sofrer, do que somos capazes de não mostrar; seja pelo medo, seja por vergonha ou por empobrecer um ato tal que, em segredo, viva eternamente com a mesma força do momento em que aconteceu.
A nobreza da lingua que cala.
Bem-aventurado o que controla seus ímpetos de fala;
Bem-aventurado o que descobre e continua a corrente;
Bem-aventurado aquele que sabe recolher um segredo;
Bem-aventurado o que não se curva pela língua;
Bem-aventurado os que possuem segredos, mantém os seus e os dos outros;
Bem-aventurado esse 'nipe' de espiritos encarnados que têm um brilho diferente e vêem a vida de uma outra forma, que têm o referencial em si mesmo e respeita o perímetro da vida alheia.
Quão admirável são os olhos que contemplam, os lábios que calam, a alma que aprende e o gesto que agradece.
Trilogia Batman. Aventura, drama, fantasia e açãoElenco: Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman, Morgan Freeman;Produtores: Emma Thomas, Charles Roven, Larry J. Franco; Trilha Sonora: Hans Zimmer, James Newton Howard; Diretor: Christopher Nolan; ; 2005/2008/2012.
Baixada a poeira do alvoroço que foi o lançamento de Batman The Dark Knight Rises, está na hora de fazer uma leitura do que foi, na opinião da crítica cinematográfica mundial, o melhor Batman de todos os tempos.
Surgido nos quadrinhos (HQs) em 1939, criado por Bob Kane e Bill Finger, no início da segunda guerra mundial, remetendo a uma esperança que nascia da noite vivida pela guerra, Batman conquistou público e virou seriado de curta-metragem para o cinema em 1943, em pleno recrudescimento do evento.
Ao longo de 70 anos de existência esse super-herói soturno povoa o imaginário social evoluindo de acordo com as novas tecnologias cinematográficas, novos modelos de estética e contexto político.
A trilogia de Nolan divide-se em temáticas cujo contexto real é o terrorismo, vivido escancaradamente desde os atentados de onze de setembro de 2001. Batman Begins tem como temas o medo, a justiça e a vingança. A abordagem é a própria vida pessoal de Bruce Wayne ( Christian Bale), atormentado pela morte de seus pais na infância e à procura de uma forma de fazer justiça e lidar com o proprio medo. O contexto de Batman Begins é a corrupção interna da justiça e o submundo do tráfico de drogas.
Em Batman The Dark Knight a instituição Batman está pronta, acabada, tornou-se um símbolo e a discussão ideológica clara sobre justiça e terror se personifica através de Coringa/Joker interpretado brilhantemente por Heath Ledger. A temática é o terrorismo, a mensagem é acreditar, acreditar sempre.
Em Batman The Dark Knight Rises a
personagem principal sofre uma cisão e temos duas histórias andando de mãos
dadas, a pessoal, de Bruce Wayne e a institucional, de Batman. O
contexto é a guerra civil, a luta de classes, o discurso socialista, a
luta armada e a reflexão sobre o poder nas mãos das minorias e a temática é a
liberdade.
A jornada filmográfica do Batman de Nolan começa com uma queda. Bruce criança (Gus Lewis) caindo num poço escuro, numa alusão ao seu interior sombrio. Seus passos, ao longo da vida, são sempre em busca de algo que possa trazê-lo de volta ao mundo real, e sai mundo afora procurando desafios e respostas.....Enquanto isso do outro lado da cidade....A justiça é feita por corruptos burocratas e o promotor público da cidade, Dr. Jonathan Crane (Cillian Murphy) é o vilão, o maior traficante de drogas da cidade e orientado pelo líder da liga das sombras Ducart (Liam Neeson).
O herói, Batman, é humano, não tem super-poderes, não é sobrenatural. O grande mantenedor do herói é o capital e a tecnologia financiada pelo conglomerado Wayne através de um setor chamado ciências aplicadas, financiado pelo caixa-dois da empresa, pois não aparece nos livros-caixa oficiais, (Batman The Dark Knight). O super-herói ao invés de super-poderes tem super tecnologia, super financiamento. Em um dos diálogos o contador das empresas Wayne descobre um croqui do batmóvel e diz que sabe que o departamento de ciências aplicadas financia o super justiceiro e tenta chantagear Lucius Fox (Morgan Freeman) e ouve o seguinte: "...deixe ver se eu entendi bem, você descobriu que o homen mais rico e poderoso do mundo faz mingau de criminosos à noite e quer chantangeá-lo. É isso?" O poder político e econômico o tornam acima do bem e do mal.
O poder público é financiado pelo
capital privado. A polícia recebe ajuda de empresários da cidade no caso
do roubo de milhões de dólares evadidos para a China. As notas foram
irradiadas e a promotoria questiona como a polícia teve dinheiro para
usar um procedimento tão caro. Os fundos para defender Gothan City vem de festas beneficentes promovidas por Bruce Wayne, que diz para o comissário Gordon ( Gary Oldman) "... uma festa com meus amigos e não precisará de mais um centavo"
A institucionalização da espionagem desterritorializada é abordada quando a investigação do livro-caixa de uma empresa chinesa de seguros, supostamente pertencente à máfia, é viabilizada com falsaspretensões de negócios, usando-a (a espionagem) como instrumento oficial de combate ao crime.
Desrespeita a soberania do território nacional chinês invadindo-o e sequestrando um cidadão para ser julgado em território americano. Constrói sonares com os celulares de trinta milhões de habitantes de Gothan, transformando-os em microfones, numa completa e absoluta falta de ética.Constrói um olhar em alpha, que atravessa paredes, tornando o mundo devassável.
O nacionalismo também está
presente, na forma de defesa da produção nacional e na forma de
patriotismo. Quando tentam matar Harvey Dent ( Aaron Eckhart) com uma pistola fabricada na china e ela falha, ele sugere que use uma americana (Batman The Dark Knight) eno ataque terrorista a um estádio de futebol americano na hora do hino nacional.( Batman The Dark Knight Rises)
Numa introdução sobre tipos diferentes de idealistas, Alfred (Michael Caine) diz à Bruce (Christian Bale) " Até os comuns são vendáveis, compráveis, menos os idealistas..." e nesta lista, de idealistas de direita está Rachel Dowes (Kate Holmes e Maggie Gyllenhaal) - Batman Begins e Batman The Dark Knight respectivamente - que morre pelo seu ideal de justiça, e corroborando com esse raciocínio Harvey Dent ( Aaron Eckhart) diz: " ...ou você morre herói ou vive o bastante pra se tornar o vilão" realidade essa que seria a sua e que viria a ser o fio condutor do desfecho do terceiro episódio.
Na caracterização do que seria um idealista do mal se encaixa Coringa/Joker (Heath Ledger) genuíno representante do terrorismo e é referido por Alfred (Michael Caine) da seguinte forma: "Alguns homens não procuram nada lógico, como o dinheiro. Não são compráveis ameaçáveis, razoáveis, negociáveis, alguns homens só querem ver o circo pegar fogo" . Batman Dark Knight foi o que mais apresentou discursos explicativos sobre os estereótipos. Coringa representa o estereótipo terrorista de uma época. Sentado em cima de uma pilha monumental de dólares, achincalha o capitalismo e sua civilização e traz falas absolutamente claras. Conversando com um mafioso: " Eu tenho gostos simples, curto dinamite, pólvora e gasolina" e queima uma tonelada de dólares..." sabe o que pólvora, dinamite e gasolina tem em comum?....São baratas (...) vocês só pensam em dinheiro, a cidade merece uma classe melhor de criminosos e eu vou dar a ela" à frente de uma fogueira de dólares diz ainda: "não é pelo dinheiro, é para passar uma mensagem" e na cena seguinte Bruce Wayne tenta ajudar a evacuar a cidade, que está explodindo nos quatro cantos num Lamborguine.
Coringa, já no hospital, vestido de enfermeira - a assistente da cura - conversando com Harvey Dent continua: "(...) eu não planejo, eu apenas faço as coisas. A máfia, os tiras,Gordon fazem planos. Eu só mostro o quanto as pessoas que fazem planos e tentam controlar seu mundinho com esquemas são patéticas. Peguei seu mundinho e virei contra ele mesmo, veja o que eu fiz com a cidade com uns barris de gasolina e umas balas.(...) se você introduz um pouco de anarquia perturba a ordem vigente, tudo se torna um caos. Eu sou o agente do caos. Sabe qual é a chave para o caos? o medo" e limpa as mãos com álcool gel.
Mas é em The Dark Knight Rises que o épico tem seu desfecho ideológico. Saído do submundo absoluto (abaixo da batcaverna), surge Bane o mercenário idealista e sem limites que sacudiria Gothan City. Usando uma mácara sob a boca, na representatividade dos que não tem voz, Bane arrebanha todas as minorias, os presidiários, os loucos, os trabalhadores braçais, os corruptos, os traficantes, os insatisfeitos com o sistema.
Inicia atacando a bolsa de valores, o coração do capitalismo, deixa a bandeira dos E.U.A em frangalhos, faz um discurso socialista de tomada de poder pelo povo e para o povo, promove o caos pelas idéias e, é adepto da luta armada, destrói o discurso de hipocrisia em torno de Harvey Dent e postula a liberdade a qualquer preço.
Estereótipo de força física, superioridade e truculência leva Batman ao nocaute sem trilha sonora, promove uma batalha medieval corpo-a-corpo na Wall Street, centro financeiro do planeta, e põe Batmam para lutar contra a poderosa e inexorável bomba nuclear. .....Enquanto isso do outro do lado do indivíduo....o de dentro, o Bruce Wayne caído no poço desde a infância tenta sair conotativa e denotativamente do poço para a liberdade sob o entoar de um canto gregroriano de ....Ressurja! Um imperativo que grita na alma de bruce e que é evocado e lembrado sempre pela sua consciência externa, Alfred, seu fiel escudeiro, mordomo, pai adotivo e, por fim, herdeiro de seu império.
A viagem introspectiva de Nolan a alma de Bruce Wayne é brilhante quando mostra no Batman Begins, Bruce fechando o poço com alguém dentro, que vê a ripas serem postas e Rachel Dowes (Kate Holmes) dizendo-lhe que a máscara não é Batman, Batman é o indivíduo, a máscara é Bruce.
A crise de identidade estabelecida em Batman The Dark Knight com espelhos que refletem o espectador, com quebras de vidraças e devassabilidade de dentro para fora e de fora para dentro, com máscaras reversas, tanto as de Batman quanto as de coringa. São os signos identificadores de uma alma em agonia, que por fim ressurge para a vida e assume sua existência "real", abandonada aos oito anos de idade, ao lado de Selina Kyle ( Anne Hattaway), numa declaração silenciosa de que a vida é devir, não tem regras e não se curva às nossas convenções.
Quanto à produção? Espetacular! A grandiosidade das imagens projetadas na versão IMAX (65mm) com uma inacreditável qualidade, numa tela que pode chegar ao tamanho de um prédio de dois andares nas melhores casas de exibição. A aposta de Nolan foi em detrimento da versão 3D e assim justificou sua escolha: "Eu prefiro a tela grande, olhar para uma tela enorme e com uma imagem que você sente que é maior que a vida" E isso amplificou a sensação de abarcação do mundo. a sinalização da visão panóptica de Batman em relação a Gotham City, que representa o mundo.. As cenas em sua maioria são amplas e abertas, apenas as que se referem a Bruce e alguns momentos de luta de Batman são fechadas e intimistas, pouquíssimas remetem as tomadas de quadrinhos (HQs) e estão mais presentes em Batman Begins e Batman The Dark Knight.
A trilha sonora é explendorosa e sacode a alma. A sensação provocada pela associação da imagem gigante e da qualidade e intensidade do som é de elevar a tatibilidade à enésima potencia.
A grandiosidade não pára por aí. Algumas das cenas mais perigosas e de ação não foram montagens gráficas, foram reais. Nolan, de fato, colocou alguém sob o pináculo de uma cidade vestido de Batman, o cone do avião da CIA em que que se dá a primeira briga de Bane, era um cigarro sem asas de um avião real içado por um helicóptero, e aqueles homens pendurados, eram reais. Absolutamente estonteante e corajoso.
O Batplane, era real. Foi contruída de fato uma traquitana gigantesca e inacreditável.
O que foi o Batman de Nolan?...Foi tudo.Mas muito especificamente, um homem. Alguém em quem o espectador, teve com o quê se identificar. O que foi o Batman de Nolan?...Um mural de ideologia, um exemplo de que se pode misturar blockbuster com algum conteúdo.
A trilogia Nolan tem quase nove horas de película em que, realmente, se conta uma história e se dá um final grandioso para ela, e cuja mensagem é a de que ninguém é insubstituível e que, romanticamente, termina dizendo que o herói pode ser qualquer um de nós, que no-fundo-no-fundo, para o tipo de mundo que construímos e escolhemos viver já somos super-heróis.
O Batman de Nolan é ideológico, é político e de extrema direita. Mas mesmo assim, vai demorar para alguém superar essa obra cinematográfica. No Batman de Nolan qualquer semelhança não é mera coincidência.
Se Batman morreu?....Se os argumentos para inseri-lo num contexto findaram-se?...Se não há mais possibilidade de inventividade tecnológica em Batman?....Se Batman acabou?.....NOT YET!
Existe um casamento que é especial, definitivo e é até que a morte os separe.
Quando somos concebidos começamos a namorar e construir um relacionamento fantástico com alguém que vai nos acompanhar a vida inteira. Tem a missão de ser o nosso melhor amigo, companheiro e estar conosco em todos os momentos, todos os momentos mesmo.
Levamos nove meses, ou menos, construindo esse sujeito, essa outra pessoa, essa relação passo-a-passo. Quando nascemos ficamos noivos. Ele é rudimentar e tosco, se manifesta por gritos, choros, berros e alguns sorrisos e levamos a vida inteira educando-o. Ensinando-o a alimentar-se, a não se machucar, a sentir tudo, a agir e reagir.
Em algum momento dessa relação, confundimos os papéis e nos adonamos e achamos que somos um, casamos. Passamos a não ouvi-lo, ignorá-lo, vilipendiá-lo, sem saber. Em nome do prazer, da beleza, da aceitação....sempre do prazer.
Esse outro quando está cansado, resfria. Quando é mau amado, chora. Quando não é alimentado sente fome. Quando não é respeitado, adoece. Este outro é transformado em vitrine, vira cabide da moda.
Como ninguém é bobo, esse outro aprende a se defender de nós mesmos (eu/você).....esse outro é o nosso corpo. Quando paramos de comer ele economiza gordura, nos sabota, preserva sua fonte de energia, sua sobrevivência e consome músculos, sua sustentação, que gera muita energia e gasta também, ele é inteligentíssimo. Quando você fuma, bebe ou se droga ele luta o tempo todo, incansavelmente, para manter limpos os alvéolos, o fígado e a corrente sanguínea. Um esforço hercúleo durante anos, um esforço cansativo....até não conseguir mais.
O não conseguir mais do nosso "cônjuge" é a desistência. A desistência de lutar contra quem deveria amá-lo. De todas as desistências, de todas as separações e divórcios do nosso corpo pra conosco a anorexia é mais gritante, a mais escandalosa, a mais desesperada, a mais suplicante.
Desisto de você......não aceito mais comida.
Desisto de você...... desliguei o aparelho reprodutor, não quero outro desse alguém por aí.
Desisto de você......não consigo sofrer mais
Desisto de você.....o carinho mais emergente você me negou.
Desisto de você..... você não me merece.
Desisto de você.....você não soube me usar.
Não confio mais em você.....
Tenho medo de você........
....quero ir embora!
De todos os divórcios esse é o único que em cem porcento dos casos termina em morte.
QUEIRA AJUDA! ACEITE AJUDA! PEÇA AJUDA!
Com carinho para as ANAMIAs de minha vida e do mundo.
Esta semana (25/07) comemorou-se o dia do escritor. Define-se escritor como sendo alguém que escreve profissionalmente, porém, nada é estático, com as multiplicações de veículos de escrita, colunas de jornais digitais, blogs, notas do facebook, etc... Contextualmente, escritor é quem escreve e se expõe através do veículo escolhido. Temos os que escrevem por prazer, por terapia, por profissão, por brincadeira e tal. Já que é a pauta da semana, vamos e ela, pensemos a cerca. A escrita me dá medo pelo seu poder de fixar o que se pensa, pela dificuldade de retirar o que se diz, pela apropriação dos outros de uma coisa que, até então, era pessoal, pelas múltiplas interpretações, pelas múltiplas consequências, pelas múltiplas visões. A escrita foi uma forma inventada de não esquecer, de selecionar quem lê, de elitizar o pensamento, de blindar o conhecimento.
A escrita é um processo de expurgação de nossos demônios, nossos fantasmas, de nós mesmos. Vamos deixando um pedacinho aqui, um outro ali, nos revelando um pouco cá e um pouco acolá.
Ferramenta perigosa, arma respeitável, baú de realidades mil, depósito de idéias, de revoluções, de nascimentos e renascimentos em nós mesmos.
Escrever é deixar um pouco da alma e do sangue através das idéias, é deixar cair bem devagar os sete véus, é uma sedução em slow motion. É pique-esconde, é poder exercido com charme, com classe. É parir um filho, é esculpir um vaso. Escrever é trabalhar como oleiro moldando uma forma, a mais bela e intrincada forma de se esconder. É um convite a descoberta, a descoberta do texto, do contexto, do autor.
Escrever é um jogo de se revelar não se revelando, é viver sem viver, de falar sem abrir a boca, é provocar e esperar. É jogar xadrez sozinho. Escrever é se esconder se mostrando, é gritar em silêncio, é jogar pedra atrás de um vidro blindado. Escrever é emaranhar-se numa floresta de letras e esperar que algum dia elas digam quem somos. É procurar um leitor a altura aumentando sempre o nível de dificuldade. É procurar sem querer encontrar.
Escrever é usar um código em benefício próprio e ser ovacionado como talentoso. Escrever é fazer no imaginário o que não se consegue fazer na prática. Quem escreve é um sofredor, um observador com ares de experiente. A escrita é um exercício nobre de covardia.
Avô é aquele parente condescendente que não tem cara de parente, tem cara de alegria.
Avô é aquela entidade que a gente visita pra ser recebido de outra forma.
O avô já viu de tudo, sabe tudo, inclusive que a partir do sorriso e do carinho podemos construir um mundo.
Avô é aquele que sabe que pressa não adianta e faz tudo muito lentamente.
Avô é aquele que, por conhecer o mundo, sabe ciceronear.
Avô é aquele cara que parou de brigar por tudo e assiste dando nota em silêncio.
Avô é aquele que lida bem com o fardo, pois já o teve como objeto, como obrigação e agora é apenas exercício de vida....gratidão.
Avô é aquele que quietinho ou não, tem uma compreensão acima da média e que nos olha como lembrança e esperança.
Avô é aquele que acende assim que chegamos e que nos dá poder de torná-lo mais forte e especial, alguém que já aprendeu a ouvir o próprio silêncio e que adora o nosso barulho; alguém de madeira por fora e marshmallow por dentro.
Ser avô não é desempenhar um papel social, é ficar encantado, é ter ares de papai noel, poder de duende, saber de um mago e alegria de palhaço. É alguém enfeitiçado pela vida.
Bem aventurados os que são avós de verdade, que encarnam esse papel irresponsável e mágico para alegria de quem começa uma jornada e prêmio de quem a está concluindo.
Exercer a magicidade de ser avô, ter essa grandeza de percepção é pra poucos, mas ainda bem que existem.
A palavra liberdade remete ao horizonte, a não ter fronteiras, ao exercício do poder de decisão, a não precisar obedecer, não precisar dar satisfações, a pleno movimento sem restrições.
Sempre que pensamos em liberdade, a primeira premissa é: " fazer o que se quer" A palavra liberdade vem vestida de fantasias e ilusões.
Liberdade é um patrimônio, há que ser construído. Ter liberdade exige pré-requisitos, não é para qualquer um, hão de ser conquistados. Usar a liberdade exige condições, não é sem critério, há que se desenvolver capacidade para reconhê-las.
Liberdade não surge do nada, não é o horizonte à disposição. É caminho de possibilidades, é PODER. Ter liberdade é poder exercer a vontade, ter consciência dos preços e ter condições de pagá-los, ter estrutura para aguentar as consequências do que se decide.
Ser livre é ter construído um arcabouço de maturidade e responsabilidade para usar um PODER. Ter liberdade é ter uma bagagem de possibilidades reais e a perspicácia para saber qual possibilidade usar e em qual momento fazê-lo.
Os pré-requisitos básicos para possuir esse patrimônio valiosíssimo não são simples: ponderação, paciência, perspicácia, estrategismo. Ter conhecimento de causa, da vida, para saber pensar, refletir, esperar e analisar circunstâncias e situações díspares, contextualizar e pesar prós e contras.
O exercício de liberdade exige que saibamos o que queremos, para onde vamos e quais os preços que pagaremos pela decisão que tomaremos e que saibamos ter condições para arcar com as consequências de nossas escolhas, porque elas vêm. A capacidade de avaliação interna e externa são de suma importância. A condição de pagar preços pelas escolhas faz dos usuários da liberdade alguém competente ou incompetente para seu uso.
Liberdade não é falta de limites, mas o uso inteligente, prazeiroso e construtivo desses limites. Liberdade não é viver sem rédeas, mas saber controlá-las, controlar-se. Liberdade não é lutar contra o mundo, mas usá-lo a seu favor. Liberdade é o maior patrimônio que um espirito encarnado pode ter, é o exercício da sua sapiência, da sua evolução em prol do seu crescimento.
"Fazer o que quer" como definição de liberdade é para tolos.